Ultímas:

Charanga Rubro-Negra: Com Paulo Sérgio "PS"



Olá, rubro-negros!

Que segunda-feira foi essa?

Eu tinha imaginado dedicar a coluna de hoje ao Fla-Flu de domingo. Sabia que não seria uma partida fácil, afinal o tricolor vinha dando sinais de reação sob o comando do recém chegado Cristóvão, apesar da derrota em casa pro Vitória, do Ney Franco. 
Mas a base do seu time está formada há pelo menos dois anos e conquistou um título brasileiro enquanto o nosso ainda seguia patinando em atuações irregulares, sem a confiança do final da temporada passada.

Assim como aconteceu contra o Palmeiras, se percebeu melhoras na atuação no segundo tempo, quando buscávamos o empate. Mas no geral não se pode desmerecer a superioridade do Flu em toda a partida.
Esperava até que Jayme reconhecesse isso na coletiva pós-jogo. Me surpreendi com suas declarações de que o time vinha jogando bem mas perdendo nos detalhes. Confesso que me senti constrangido com essa análise. Cheguei a tuitar que sim, o Fla perdera por dois detalhes a zero.

Gosto do Jayme, como torcedor o vi jogar no Flamengo e ser campeão naquele primeiro título do Zico em 74.
Sei da história vencedora e respeitada de seu pai no clube. Cresci lendo as revistas que meu pai guardava falando do tricampeonato de 42-43-44, etc.

Por essa simpatia não queria vê-lo sendo xingado no estádio, questionado e saindo humilhado do clube com o qual ele tanto se identificava. Achei que seria melhor mudar o comando do time. Nada anormal na cultura do nosso futebol. E o Flamengo vive de vitórias. Sempre foi assim. 

Nunca percebi em Jayme a ambição de se tornar um treinador de verdade. Sempre trabalhou como auxiliar, teve experiências rápidas na Desportiva e Iraty nesses tantos anos depois que deixou de jogar. O título da Copa do Brasil e do Carioca talvez tenham despertado nele esse gosto tardio pelo cargo mas ele não demonstrou a experiência e maturidade pra enfrentar as dificuldades.

Imaginei que seria razoável uma conversa dos dirigentes com ele a respeito do desempenho irregular do time e a sua volta a trabalhar como auxiliar. Acontecera o mesmo com seu pai, por diversas vezes, na verdade seis.

Cabe aqui o registro de como seu pai cumpriu por muito tempo a função de auxiliar técnico no clube.

Ainda quando era jogador, em 46, Jayme acumulou a função de treinador em dois jogos e o fato se repetiu em 47 por 4 oportunidades.

Em 1950, pouco após encerrar a carreira de jogador, assumiu como treinador interinamente, entre a saída de Gentil Cardoso e a chegada do treinador da seleção portuguesa, Candido de Oliveira. Comandou o time em 5 jogos (1 vitória, 1 empate e 3 derrotas).

O renomado treinador português não foi muito bem, dirigindo o rubro-negro apenas por 13 oportunidades.

Jayme novamente dirigiu a equipe no final da temporada, por 7 vezes (3 vitórias, 2 empates e 2 derrotas).

Flavio Costa assumiu a equipe em janeiro de 1951 e ficou até o final de 52, sem conseguir os títulos esperados.

Novamente o interino foi Jayme de Almeida, desta vez dirigindo o time em 19 oportunidades (9 vitórias, 7 empates e 3 derrotas).

O presidente Gilberto Cardoso fez então uma contratação de peso, trazendo o treinador paraguaio Fleitas Solich, da seleção do seu país e que conquistara o sul americano daquele ano vencendo o Brasil na final.

Jayme foi seu fiel escudeiro na campanha do tricampeonato de 53-54-55. 

Solich ficou até 1957 no Flamengo, lançando na equipe nomes como Dida e Zagallo. Seu retrospecto em 275 jogos foi de 173 vitórias, 48 empates e 54 derrotas. Voltou ao clube mais duas vezes. Na segunda conquistou o Rio-S.Paulo de 1961 promovendo ao time principal os armadores Carlinhos e Gerson. Na terceira vez, em 1971, não conquistou títulos mas lançou pela primeira vez no time de cima um menino chamado Zico.

Jayme de Almeida esteve nesse período por mais uma vez na função de treinador interino. Em 58 com 8 jogos (3 vitórias, 4 empates e 1 derrota).

Até que em 1959, foi pela primeira vez efetivado na função de treinador e dirigiu a equipe em 23 jogos (13 vitórias, 5 empates e 5 derrotas).

Sua saída aconteceu após a derrota de 2x0 no Fla-Flu do dia 22 de novembro. Em 61, Jayme recebeu uma proposta e foi treinar o Alianza, de Lima, onde trabalhou até 66 e conquistando tres campeonatos nacionais.

Vejam como o JB noticiou o episódio da sua saída e comparem com o que aconteceu ontem. 



O que se passou ontem foi simplesmente lamentável, tanto pela história dos Jaymes - pai e filho - no clube quanto pela decepção de constatarmos que falta muita coisa pra que a tão esperada mudança realmente aconteça no nosso Flamengo.

Apesar dos exageros que percebi na cobertura do caso pela mídia, me senti envergonhado pelo acontecido.
Me resta usar esse espaço pra pedir desculpas ao Jayme pela forma como ele foi desligado e agradecer por tudo que ele fez pelo clube.

OBRIGADO, JAYME PAI E JAYME FILHO.




Saudações!

0 comentários:

Copyright © 2015/16 Mulambo VIP
Traduzido Por: Mais Templates - Design Favorite Blogger